Artigo | Smart cities: novos desafios à cibersegurança

Smart Citie | Gerd Altmann

Por Raphael Bottino

O conceito de cidades inteligentes, ou smart cities, envolve a adoção de tecnologia massiva para a melhoria de serviços públicos como saúde, meio ambiente, segurança, alimentação e transportes.

Distritos que já adotam redes de sensores para prevenir catástrofes naturais, cidadãos que utilizam chaves inteligentes para assistir filmes e pagar bilhetes de metrô e um conselho municipal 100% conectado ao Twitter: tudo isso pode soar futurístico, mas já é realidade.

Na verdade, não precisamos ir muito longe para encontrarmos estas iniciativas. A prefeitura do Rio de Janeiro, conta com um aclamado centro em que trabalha informações para responder rapidamente casos de acidentes no trânsito e até mesmo agilizar o atendimento às vítimas em deslizamentos decorrentes de chuva.

O Centro de Operações do Rio, como é chamado, utiliza-se também de crowdsourcing de informações por meio de aplicativos de trânsito para gerar rotas alternativas.

A Trend Micro levantou quais países contam com cidades inteligentes e, junto a isso, como estão fazendo uso de tecnologias inteligentes para enfrentar seus desafios.

Songdo IBD, Coreia do Sul

O distrito Internacional de Negócios de Songdo foi construído do zero, e é a 1ª cidade inteligente do mundo. Seus moradores têm acesso a comunicação de vídeo em tempo real que lhes permite remotamente frequentar aulas, consultar médicos ou até mesmo trabalhar em casa.

Chaves inteligentes que são utilizadas pelos cidadãos para abrir a porta de suas residências, servem também como um meio para pagar bilhetes de metrô e estacionamento, assistir a filmes e muito mais. Estes cartões não estão ligados às identidades dos usuários e podem ser facilmente cancelados e reiniciados em caso de perda.

Singapura

Singapura, que tem o objetivo de ser a primeira cidade-estado 100% smart do mundo, já conta com grande avanço em big data, segurança cibernética, logística urbana e assistência inteligente à saúde.

Quando Singapura verdadeiramente se tornar uma nação inteligente, não só manterá a conectividade em toda a cidade, mas também uma rede de sensores – composta de câmeras de segurança e detectores de qualidade do ar, temperatura e velocidade – será instalada para dar um retorno comportamental (fumar em áreas proibidas ou a localização dos cruzamentos de tráfego com maior congestionamento) para que os problemas possam ser facilmente resolvidos.

Holanda

A cidade de Rotterdam instalou o Rain Radar, sistema sustentável de gestão da água que interpreta a quantidade de chuva que caiu em áreas específicas.

Este sistema permite que seja armazenado e/ou direcionado o excesso de água encontrado nos reservatórios subterrâneos de água e canais para evitar inundações.

Amsterdam também está bem adiantada com seus esforços de inovação civil. A cidade dispõe de serviços de entrega de alimentos por meio de triciclos movidos a energia solar e estacionamentos de colaboração coletiva. Melhor que isso, três cidades do país já têm projetos inteligentes notáveis.

Jun, Espanha

Jun, uma pequena cidade na Espanha, possui WiFi liberado para todos seus cidadãos porque provê todos os serviços de atendimento à população 100% online através do Twitter.

Todos os seus escritórios e funcionários públicos são, portanto, obrigados a ter uma conta no Twitter. A rede social pode ser usada para denunciar crimes, marcar consultas médicas, e até mesmo entrar em contato com funcionários do governo local.

Sensores e IoT

Grande parte dos exemplos contam com algum tipo de sensor para seu  monitoramento: de câmeras ao controle pluvial, os sensores são praticamente parte fundamental de uma smart city. Esse conjunto de sensores, quando conectados à Internet,  denomina-se Internet das Coisas, ou IoT(Internet of Things).

No entanto, estes sensores conectados apresentam potencial enorme aos cibecriminisosos que vem sendo explorado: uma segurança altamente falha. Isso ocorre pela forma que esses dispositivos são projetados e operados: em sua maioria, são baratos e de baixa manutenção, fazendo com que fiquem sem atualizações de segurança muitas vezes por toda sua vida útil.

Big Data: modernização vs. privacidade

Uma vez coletado pelos sensores, os dados precisam ser processados para se obter inteligência deles. O processamento de tantos dados, o já famoso Big Data, pode otimizar o desenvolvimento das cidades, mas potenciais problemas ao longo desse processo podem ameaçar a segurança e privacidade dos moradores.

Isso ocorre especialmente porque- massas de dados tão grandes como essa costumam ser processadas em servidores em nuvem, ou seja, servidores operados por empresas que muitas vezes nem no mesmo país da coleta se encontram, dificultando inclusive a capacidade do Estado de administrar esses dados.

Imagine a seguinte situação: os dados de um dado morador são violados e o atacante conta com informações como o trajeto percorrido pelo cidadão e até mesmo quais serviços recentes foram utilizados. O atacante poderá forjar um e-mail se passando por um órgão real do governo, para conseguir obter informações ainda mais valiosas, como os dados do cartão de crédito do cidadão.

Outro tipo de ataque que pode ocorrer nesse cenário é a inserção de dados falsos: um atacante poderia, por exemplo, gerar um falso alerta de trânsito intenso em uma via vazia e apontar uma via que na realidade está engarrafada, como com trânsito leve. O governo irá, então, realizar ações momentâneas no tráfego para apontar a via já saturada como uma ótima opção para motoristas que ainda não estão nela, piorando o trânsito local.

Os benefícios em potencial da utilização da tecnologia para o bem-estar da população são incríveis. No entanto, é fundamental que a segurança esteja sempre em primeiro lugar durante todo o controle dos sistemas, desde os sensores até o processamento dos dados em nuvem, , pois ela é fundamental para a qualidade de vida da população de uma smart city.

Raphael Bottino é engenheiro de Vendas da Trend Micro Brasil